quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Hipertensão arterial





 Manual Merck

A hipertensão arterial é, geralmente, uma afecção sem sintomas na qual a elevação anormal da pressão dentro das artérias aumenta o risco de perturbações como o AVC, a ruptura de um aneurisma, uma insuficiência cardíaca, um enfarte do miocárdio e lesões do rim.
 
A palavra «hipertensão» sugere uma tensão excessiva, nervosismo ou stress. No entanto, em termos médicos, a hipertensão refere-se a um quadro de pressão arterial elevada, independentemente da causa. Chama-se-lhe «o assassino silencioso» porque, geralmente não causa sintomas durante muitos anos (até que lesiona um órgão vital).

A hipertensão arterial afecta muitos milhões de pessoas com uma diferença notória conforme a origem étnica. Por exemplo, nos Estados Unidos, onde afecta mais de 50 milhões de pessoas, 38 % dos adultos negros sofrem de hipertensão, em comparação com 29 % de brancos. Perante um nível determinado de pressão arterial, as consequências da hipertensão são mais graves nas pessoas de raça negra.

Nos países desenvolvidos, calcula-se que só se diagnostica esta perturbação em dois de cada três indivíduos que dela sofrem, e só 75 % deles recebem tratamento farmacológico, e este só é adequado em 45 % dos casos.

Quando se mede a pressão arterial, registam-se dois valores. O mais elevado produz-se quando o coração se contrai (sístole); o mais baixo corresponde à relaxação entre um batimento e outro (diástole). A pressão arterial transcreve-se como a pressão sistólica seguida de uma barra e, em seguida, a pressão diastólica [por exemplo, 120/80 mmHg (milímetros de mercúrio)]. Esta medição seria lida como «cento e vinte, oitenta».
A pressão arterial elevada define-se como uma pressão sistólica em repouso superior ou igual a 140 mm Hg, uma pressão diastólica em repouso superior ou igual a 90 mmHg, ou a combinação de ambas. Na hipertensão, geralmente, tanto a pressão sistólica como a diastólica estão elevadas.

Na hipertensão sistólica isolada, a pressão sistólica é superior ou igual a 140 mmHg, mas a diastólica é menor que 90 mmHg (isto é, esta última mantém-se normal).

A hipertensão sistólica isolada é sempre mais frequente na idade avançada. Quase em todas as pessoas a pressão arterial aumenta com a idade, com uma pressão sistólica que aumenta até os 80 anos pelo menos e uma pressão diastólica que aumenta até aos 55 a 60 anos, para depois estabilizar-se e inclusive descer.

A hipertensão maligna é uma pressão arterial muito elevada que, se não for tratada, costuma provocar a morte num período de 3 a 6 meses. É bastante rara e produz-se somente em cerca de uma em cada 200 pessoas com hipertensão arterial, embora os índices de frequência mostrem variações em função de diferenças étnicas (maior frequência em doentes de raça negra), de sexo (sendo mais frequente nos homens) e de condição socioeconómica (com maior incidência em doentes de classe baixa). A hipertensão maligna é uma urgência médica. 

Controlo da pressão arterial

A elevação da pressão nas artérias pode dever-se a vários mecanismos. Por exemplo, o coração pode bombear com mais força e aumentar o volume de sangue que expulsa em cada batimento. Outra possibilidade é que as grandes artérias percam a sua flexibilidade normal e se tornem rígidas, de modo a não poderem expandir-se quando o coração bombeia sangue através delas. Por esta razão, o sangue proveniente de cada batimento vê-se forçado a passar por um espaço menor do que o normal e a pressão aumenta. Isto é o que acontece aos idosos cujas paredes arteriais se tornaram grossas e rígidas devido à arteriosclerose. A pressão arterial aumenta de forma similar na vasoconstrição [quando as artérias minúsculas (arteríolas) se contraem temporariamente pela estimulação dos nervos ou das hormonas circulantes]. Por último, a pressão arterial pode aumentar se se incrementar o afluxo de líquido ao sistema circulatório. Esta situação verifica-se quando os rins funcionam mal e não são capazes de eliminar sal e água em quantidade suficiente. O resultado é que o volume de sangue aumenta e, como consequência, aumenta a pressão arterial.

Pelo contrário, se a função de bombeamento do coração diminui, se as artérias estão dilatadas ou se se perde líquido do sistema, a pressão desce. As modificações destes factores são regidas por alterações no funcionamento renal e no sistema nervoso autónomo (a parte do sistema nervoso que regula várias funções do organismo de forma automática).

O sistema nervoso simpático, que faz parte do sistema nervoso autónomo, é responsável pelo aumento temporário da pressão arterial quando o organismo reage diante de uma ameaça. O sistema nervoso simpático incrementa a frequência e a força dos batimentos cardíacos. Produz também uma contracção da maioria das arteríolas, mas, em contrapartida, dilata as de certas zonas, como as dos músculos, onde é necessário um maior fornecimento de sangue. Além disso, o sistema nervoso simpático diminui a eliminação de sal e de água pelo rim e, como consequência, aumenta o volume de sangue. Deste modo, produz a libertação das hormonas adrenalina (epinefrina) e noradrenalina (norepinefrina), que estimulam o coração e os vasos sanguíneos.

Por outro lado, os rins controlam a pressão arterial de vários modos. Se a pressão arterial se eleva, aumenta a eliminação de sal e de água, o que faz descer o volume de sangue e normaliza a pressão arterial. Ao contrário, se a pressão arterial diminui, os rins reduzem a eliminação de sal e de água; em consequência, o volume sanguíneo aumenta e a pressão arterial volta aos seus valores normais. Os rins também podem aumentar a pressão arterial, segregando um enzima denominado renina, que estimula a secreção de uma hormona chamada angiotensina, a qual, por sua vez, desencadeia a libertação de aldosterona.

Dado que os rins são importantes para controlar a pressão arterial, muitas doenças e anomalias renais elevam a pressão arterial. Por exemplo, um estreitamento da artéria que alimenta um dos rins (estenose da artéria renal) pode causar hipertensão. De igual modo, inflamações renais de vários tipos e a lesão de um ou de ambos os rins também causam efeitos similares.

Sempre que, por qualquer causa, se verifique um aumento da pressão arterial, desencadeia-se um mecanismo de compensação que neutraliza e mantém a pressão a níveis normais. Portanto, um aumento do volume de sangue bombeado pelo coração que tende a aumentar a pressão arterial faz com que os vasos sanguíneos se dilatem e que os rins aumentem a eliminação de sal e de água, o que tende a reduzir a pressão arterial. No entanto, em caso de arteriosclerose, as artérias tornam-se rígidas e não podem dilatar-se, e por isso a pressão arterial não desce aos seus níveis normais. As alterações arterioscleróticas nos rins podem alterar a sua capacidade para eliminar sal e água, o que tende a aumentar a pressão arterial. 

Causas

Para cerca de 90 % das pessoas com pressão arterial elevada, a causa é desconhecida. Essa situação denomina-se hipertensão essencial ou primária. A hipertensão essencial pode ter mais de uma causa. Provavelmente, uma combinação de diversas alterações no coração e nos vasos sanguíneos produz a subida da pressão arterial.

Quando a causa é conhecida, a afecção denomina-se hipertensão secundária. Entre 5 % e 10 % dos casos de hipertensão arterial têm como causa uma doença renal. Entre 1 % e 2 % têm a sua origem numa perturbação hormonal ou no uso de certos fármacos, como os anticoncepcionais orais (pílulas para o controlo da natalidade). Uma causa pouco frequente de hipertensão arterial é o feocromocitoma, um tumor das glândulas supra-renais que segrega as hormonas adrenalina e noradrenalina.

A obesidade, um hábito de vida sedentária, o stress e o consumo excessivo de álcool ou de sal são, provavelmente, factores de risco no aparecimento da hipertensão arterial em pessoas que possuem uma sensibilidade hereditária. O stress tende a fazer com que a pressão arterial aumente temporariamente, mas, de um modo geral, regressa à normalidade uma vez que ele tenha desaparecido. Isto explica a «hipertensão da bata branca», na qual o stress causado por uma ida ao consultório do médico faz com que a pressão arterial suba o suficiente para que se faça o diagnóstico da hipertensão em alguém que, noutros momentos, teria uma pressão arterial normal. Julga-se que, nas pessoas com esta tendência, estes breves aumentos da pressão causam lesões que, finalmente, provocam uma hipertensão arterial permanente, inclusive quando o stress desaparece. No entanto, esta teoria segundo a qual os aumentos transitórios da pressão arterial podem dar lugar a uma pressão elevada de forma permanente não foi demonstrada. 

Regulação da pressão arterial: o sistema renina-angiotensina-aldosterona
Quando a pressão arterial diminui (1) liberta-se renina (um enzima renal). A renina (2), por seu lado, activa a angiotensina (3), uma hormona que contrai as paredes musculares das artérias pequenas (arteríolas) e, como consequência, aumenta a pressão arterial. A angiotensina também estimula a secreção da hormona aldosterona da glândula supra-renal (4), provoca a retenção de sal (sódio) nos rins e a eliminação de potássio. Como o sódio retém água, expande-se o volume de sangue e aumenta a pressão arterial.
Sintomas

Habitualmente, a hipertensão arterial é assintomática, apesar da coincidência no aparecimento de certos sintomas que muita gente considera (erradamente) associados à mesma: cefaleias, hemorragias nasais, vertigem, ruborização facial e cansaço.

Embora as pessoas com uma pressão arterial elevada possam ter estes sintomas, eles também podem aparecer com a mesma frequência em indivíduos com uma pressão arterial normal.

No caso de uma hipertensão arterial grave ou de longa duração que não receba tratamento, os sintomas como cefaleias, fadiga, náuseas, vómitos, dispneia, desassossego e visão esfumada verificam-se devido a lesões no cérebro, nos olhos, no coração e nos rins. Às vezes, as pessoas com hipertensão arterial grave desenvolvem sonolência e inclusive coma por edema cerebral (acumulação anormal de líquido no cérebro). Este quadro, chamado encefalopatia hipertensiva, requer um tratamento urgente.

Diagnóstico

A pressão arterial determina-se depois de a pessoa ter estado sentada ou deitada durante 5 minutos. Uma leitura de 140/90 mmHg ou mais é considerada alta, mas o diagnóstico não pode basear-se numa só medição. Às vezes, inclusive várias determinações elevadas não são suficientes para efectuar o diagnóstico. Quando se regista uma medição inicial elevada, deve determinar-se de novo e depois mais duas vezes em dias diferentes, para se assegurar de que a hipertensão persiste. As leituras não só indicam a presença de hipertensão arterial, como também permitem classificar a sua gravidade.

Quando se tiver estabelecido o diagnóstico de hipertensão arterial, habitualmente avaliam-se os seus efeitos sobre os órgãos principais, sobretudo os vasos sanguíneos, o coração, o cérebro e os rins. A retina (a membrana sensível à luz que reveste a superfície interna da parte posterior do olho) é o único lugar onde se podem observar directamente os efeitos da hipertensão arterial sobre as arteríolas. Julga-se que as alterações na retina são semelhantes às dos vasos sanguíneos de qualquer outra parte do organismo, como os rins. Para examinar a retina, utiliza-se um oftalmoscópio (um instrumento que permite visualizar o interior do olho). O grau de deterioração da retina (retinopatia) permite classificar a gravidade da hipertensão arterial.
As alterações no coração (particularmente uma dilatação devido ao aumento de trabalho requerido para bombear sangue a uma pressão elevada) detectam-se com um electrocardiograma (Ver secção 2, capítulo 15) e uma radiografia do tórax. Nas fases iniciais, é mais útil o ecocardiograma (um exame que utiliza ulta-sons para obter uma imagem do coração). Um ruído anómalo, denominado o quarto ruído cardíaco, que se ausculta com um fonendoscópio, é uma das primeiras alterações cardíacas causadas pela hipertensão.
As lesões iniciais do rim detectam-se através de uma análise da urina. A presença de células sanguíneas e albumina (um tipo de proteína) na urina, por exemplo, pode indicar a presença de tal afecção.

É, igualmente, necessário procurar a causa da pressão arterial elevada, sobretudo se o doente é jovem, mesmo quando a causa é identificada em menos de 10 % dos casos. Quanto mais elevada for a pressão arterial e mais jovem for o doente, mais aprofundada deve ser a pesquisa da causa. A avaliação inclui radiografias e estudos dos rins com isótopos radioactivos, uma radiografia do tórax e determinações de certas hormonas no sangue e na urina.

Para detectar um problema real, toma-se como ponto de partida a história clínica, insistindo em problemas renais prévios. Durante o exame físico, explora-se a zona do abdómen por cima dos rins para detectar a presença de dor. Com um fonendoscópio sobre o abdómen, tenta-se localizar a presença de um ruído anormal (som que o sangue produz ao atravessar um estreitamento da artéria que alimenta o rim). Por último, envia-se uma amostra de urina para o laboratório para a sua análise e, se for necessário, efectuam-se radiografias ou ecografias com o fim de conhecer o grau de fornecimento de sangue ao rim, assim como outras provas renais.

Quando a causa é um feocromocitoma, aparecem na urina os produtos de decomposição das hormonas adrenalina e noradrenalina. Habitualmente, estas hormonas também produzem várias combinações de sintomas, como cefaleias intensas, ansiedade, sensação de batimentos rápidos e irregulares (palpitações), suor excessivo, tremor e palidez.

Podem detectar-se outras causas raras de hipertensão arterial com certos exames sistemáticos. Por exemplo, a medição da concentração de potássio no sangue facilita a detecção do hiperaldosteronismo (Ver secção 13, capítulo 146) e a determinação da pressão arterial em ambos os braços e pernas ajuda a detectar uma coarctação da aorta. 

Medição da pressão arterial
Prognóstico

Quando a pressão arterial elevada não é tratada, aumenta o risco de se desenvolver uma doença cardíaca (como a insuficiência cardíaca ou um enfarte de miocárdio), uma insuficiência renal e um AVC (acidente vascular cerebral) numa idade jovem. A hipertensão arterial é o factor de risco mais importante de AVC e é também um dos três factores principais de risco de enfarte do miocárdio, juntamente com o hábito de fumar e os valores de colesterol elevados. Os tratamentos que fazem descer a pressão arterial elevada diminuem o risco de AVC e de insuficiência cardíaca. Também diminui o risco de enfarte, embora não de forma tão clara. Menos de 5 % dos doentes com hipertensão maligna sem tratamento sobrevivem mais de um ano.

Principais «órgãos-alvo» da hipertensão arterial
Os principais «órgãos-alvo» são o cérebro, o coração, as grandes artérias e os rins. O exame adequado da retina através de um oftalmoscópio permite observar alterações secundárias à hipertensão. 

Tratamento

A hipertensão essencial não tem cura, mas o tratamento previne as complicações. Devido ao facto de a pressão arterial em si mesma não produzir sintomas, o médico procura evitar tratamentos incómodos, trabalhosos ou que interfiram com os hábitos de vida. Antes de prescrever a administração de fármacos, é recomendável aplicar medidas alternativas.

No caso de excesso de peso e de pressão arterial elevada, aconselha-se reduzir o peso até ao seu nível ideal. Deste modo, são importantes as alterações na dieta em pessoas com diabetes, que são obesas ou que têm valores de colesterol altos, para manter um bom estado de saúde cardiovascular em geral. Se se reduzir o consumo de sódio para menos de 2,3 g ou de cloreto de sódio para menos de 6 g por dia (mantendo um consumo adequado de cálcio, de magnésio e de potássio) e se se reduzir o consumo diário de álcool para menos de 750 ml de cerveja, 250 ml de vinho ou 65 ml de whisky, pode não ser necessário o tratamento farmacológico. É também muito útil fazer exercícios aeróbicos moderados. As pessoas com hipertensão essencial não têm de restringir as suas actividades se têm a sua pressão arterial controlada. Por último, os fumadores deveriam deixar de fumar.

É aconselhável que as pessoas com pressão arterial elevada controlem a sua pressão no seu próprio domicílio. Essas pessoas provavelmente estarão mais dispostas a seguir as recomendações do médico em relação ao tratamento.

Tratamento farmacológico

Em teoria, qualquer pessoa com hipertensão arterial pode conseguir controlar-se dado que se dispõe de uma ampla variedade de fármacos, mas o tratamento tem de ser individualizado. Além disso, é mais eficaz quando ambos, doente e médico, têm uma boa comunicação e colaboram com o programa de tratamento.

Os especialistas não se puseram de acordo sobre quanto se deve diminuir a pressão arterial durante o tratamento ou sobre quando e quanto se deve tratar a hipertensão no estádio 1 (ligeira). Mas há, na verdade, um acordo geral sobre o facto de que, quanto mais elevada for a pressão arterial, maiores serão os riscos (inclusive quando os níveis se encontram dentro da escala normal). Por isso, alguns especialistas sublinham que qualquer aumento, mesmo pequeno, deve ser tratado e que quanto mais se conseguir fazer descer a pressão, melhor. Em contrapartida, outros sustentam que o tratamento da pressão arterial abaixo de um certo nível pode fazer aumentar os riscos de enfarte e de morte súbita em vez de reduzi-los, sobretudo no caso de doença das artérias coronárias.

Diversos tipos de fármacos reduzem a pressão arterial através de mecanismos diferentes. Por isso, alguns médicos costumam utilizar um tratamento escalonado. Inicia-se com um fármaco ao qual se juntam outros quando for necessário. Também se pode efectuar uma aproximação sequencial: prescreve-se um fármaco e, se não for eficaz, interrompe-se e administra-se outro. Ao escolher um fármaco, consideram-se factores como: a idade, o sexo e a etnia do doente, o grau de gravidade da hipertensão, a presença de outras perturbações, como diabetes ou valores elevados de colesterol, os efeitos secundários prováveis (que variam de um fármaco para outro) e os custos dos fármacos e das análises necessárias para controlar a sua segurança.

Habitualmente, os doentes toleram bem os fármacos anti-hipertensivos que se lhes prescrevem. Mas qualquer fármaco anti-hipertensivo pode provocar efeitos secundários. Deste modo, se estes aparecerem, dever-se-á informar disso o médico para que ajuste a dose ou mude o fármaco.

Os diuréticos tiazídicos são, com frequência, o primeiro fármaco que se administra para tratar a hipertensão. Os diuréticos ajudam os rins a eliminar sal e água e diminuem o volume de líquidos em todo o organismo, reduzindo desse modo a pressão arterial. Os diuréticos também dilatam os vasos sanguíneos. Devido ao facto de provocarem uma perda de potássio pela urina, às vezes devem ser administrados conjuntamente suplementos de potássio ou fármacos que retenham potássio. Estes fármacos são particularmente úteis em pessoas de etnia negra, de idade avançada, em obesos e em pessoas que sofram de insuficiência cardíaca ou renal crónica.

Os bloqueadores adrenérgicos (um grupo de fármacos que incluem os bloqueadores alfa, os betabloqueadores e o bloqueador alfa-beta labetalol) bloqueiam os efeitos do sistema nervoso simpático, o sistema que responde rapidamente ao stress aumentando a pressão arterial.

Os bloqueadores adrenérgicos mais utilizados, os betabloqueadores, são especialmente úteis nos indivíduos de etnia branca, nas pessoas jovens e nas que sofreram um enfarte de miocárdio ou que têm ritmos cardíacos acelerados, angina de peito ou enxaqueca.

Os inibidores do enzima conversor da angiotensina diminuem a pressão arterial dilatando as artérias. São particularmente úteis nos indivíduos brancos, nas pessoas jovens e nas que sofrem de insuficiência cardíaca, nas que apresentam proteínas na urina devido a uma doença renal crónica ou a uma doença renal pela diabetes e nos jovens que manifestam impotência como resultado de um efeito secundário produzido pela ingestão de outro fármaco.

Os bloqueadores da angiotensina II diminuem a pressão arterial através de um mecanismo semelhante (mas mais directo) ao dos inibidores do enzima conversor da angiotensina. Devido ao modo como actuam, os bloqueadores da angiotensina II parecem causar menos efeitos secundários.

Os antagonistas do cálcio provocam a dilatação dos vasos sanguíneos por um mecanismo completamente diferente. São particularmente úteis nas pessoas de etnia negra, de idade avançada e nas que sofrem de angina de peito (dor no peito), de certos tipos de arritmias ou de enxaqueca. Relatórios recentes sugerem que a administração de antagonistas do cálcio de acção curta aumenta o risco de morte por enfarte, mas não há estudos que sugiram esse efeito para os antagonistas do cálcio de acção prolongada.

Os vasodilatadores directos dilatam os vasos sanguíneos através de outro mecanismo. Um fármaco deste tipo quase nunca se utiliza isolado; costuma utilizar-se como um segundo fármaco quando o outro sozinho não diminui suficientemente a pressão arterial.

As urgências hipertensivas, como, por exemplo, a hipertensão maligna, requerem uma diminuição rápida da pressão arterial. Existem diversos fármacos que diminuem a pressão arterial com rapidez; a maioria administra-se por via endovenosa. Estes fármacos compreendem o diazóxido, o nitroprussiato, a nitroglicerina e o labetalol. A nifedipina, um antagonista do cálcio, é de acção muito rápida e administra-se por via oral; no entanto, pode causar hipertensão, de modo que é necessário controlar rigorosamente os seus efeitos.

Tratamento da hipertensão secundária

O tratamento da hipertensão secundária depende da causa do aumento da pressão arterial. O tratamento de uma doença renal pode, por vezes, normalizar a pressão arterial ou ao menos reduzi-la, de modo que neste último caso o tratamento farmacológico seja mais eficaz. Uma artéria obstruída que chega ao rim pode dilatar-se através da inserção de um cateter com um balão que depois se enche. Também pode solucionar-se através de uma cirurgia derivativa do segmento estreitado; este tipo de cirurgia cura, com frequência, a hipertensão. Os tumores que provocam a hipertensão arterial, como os feocromocitomas, geralmente podem extirpar-se cirurgicamente.


Variações da pressão arterial
A pressão arterial varia ao longo da vida. Geralmente, os bebés e as crianças têm uma pressão muito mais baixa do que as dos adultos. A actividade também afecta a pressão arterial: aumenta durante o exercício e diminui durante o repouso. A pressão arterial varia, além disso, conforme a altura do dia, já que é mais elevada à noite durante o sono.

Causas principais de hipertensão secundária
Doenças renais
Estenose da artéria renal
Pielonefrite
Glomerulonefrite
Tumores renais
Doença poliquística renal (geralmente hereditária)
Lesões do rim
Radioterapia que afecta o rim
Perturbações hormonais
Hiperaldosteronismo
Síndroma de Cushing
Feocromocitoma
Fármacos
Anticoncepcionais orais
Corticosteróides
Ciclosporina
Eritropoietina
Cocaína
Abuso de álcool
Alcaçuz (em quantidades excessivas)
Outras causas
Coarctação da aorta
Gravidez complicada por pré-eclampsia
Porfiria intermitente aguda
Intoxicação aguda por chumbo

Classificação da pressão arterial nos adultos
Quando a pressão sistólica e diastólica de uma pessoa caem em categorias diferentes, opta-se pela mais elevada para classificar a pressão arterial.
Por exemplo,160/92 mmHg classifica-se como hipertensão fase 2 e 180/120 mmHg como hipertensão fase 4.
A pressão arterial óptima para minimizar o risco de perturbações cardiovasculares situa-se abaixo de 120/80 mmHg.
Devem avaliar-se, no entanto, as medições demasiado baixas.
Categoria Pressão arterial sistólica Pressão arterial diastólica
Pressão arterial normal Inferior a 130 mmHg Inferior a 85 mmHg
Pressão arterial nomal-alta 130-139 85-89
Hipertensão (ligeira) fase 1 140-159 90-99
Hipertensão (moderada) fase 2 160-179 100-109
Hipertensão (grave) fase 3 180-209 110-119
Hipertensão (muito grave) fase 4 Igual ou superior a 210 Igual ou superior a 120

Qual é o limite máximo e o mínimo para os batimentos cardíacos?

O coração de um jovem saudável, entre 15 e 20 anos, costuma bater no mínimo 60 e no máximo 90 vezes por minuto. Mas se esporadicamente sua freqüência cardíaca ultrapassa ou cai abaixo de tal faixa, isso não quer dizer que você tem algum tipo de doença. "O coração está ligado ao cérebro e ao corpo por estímulos nervosos e são eles que dizem o quanto ele precisa trabalhar", afirma o cardiologista Antônio Carlos Carvalho, da Unifesp. Em algumas pessoas, o nervo simpático (que libera adrenalina) atua com mais força, fazendo com que o indivíduo perceba mais facilmente quando o coração acelera. Em outras pessoas, a atuação do nervo vago (que breca os batimentos) é mais percebida. Basta uma situação que estimule um dos dois nervos e pronto. Quando você está malhando, por exemplo, sua freqüência cardíaca pode chegar a 150 ou 160 bpm (batimentos por minuto) sem que isso represente uma ameaça à saúde. Agora imagine que você está no milésimo sono. Deitadão na cama, sem se mexer ou fazer qualquer esforço, seu metabolismo é muito menos intenso e seu cérebro praticamente desliga. Por que seu coração iria disparar? Enquanto dormimos, é normal nossa freqüência cardíaca chegar aos 40 bpm, também sem causar nenhum problema. Afinal você sempre acorda bem no dia seguinte, não? Outro fator que influencia muito a freqüência cardíaca é a idade. Um recém-nascido tem entre 120 e 140 bpm, pois seus sistemas de regulação do sistema circulatório ainda não estão bem desenvolvidos. A freqüência cardíaca maior ajuda a fornecer mais oxigênio ao coração dos bebês. Conforme eles crescem, os batimentos vão diminuindo. Décadas mais tarde, na velhice, os batimentos provavelmente serão mais espaçados ainda, numa faixa entre 50 e 80 bpm.
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Motor desreguladoCada coração tem sua cadência, mas alterações bruscas podem levar à morte
Com o pé no freio
Uma freqüência cardíaca muito baixa faz com que menos oxigênio circule pelo corpo. Com você deitado e quieto, ou mesmo dormindo, é provável que não haja nenhum problema se seu coração estiver com apenas 30 bpm. Mas essa freqüência com você desperto, em pé, pode provocar desmaios e, em casos extremos, levar à morte
Limite ideal
Para um jovem saudável, a freqüência normal fica entre 60 e 90 bpm. Mas um atleta, por exemplo, pode ter uma freqüência de 40 bpm e isso ser absolutamente normal. É que o coração dele é muito eficiente: cada bombeada entrega ao corpo bem mais sangue que o normal, por isso ele precisa bater menos vezes
Excesso de velocidade
O coração tem dois movimentos: a diástole (quando o órgão se enche de sangue) e a sístole (quando o sangue é bombeado para o corpo). Quando o coração acelera, ele encurta a diástole. Assim, o órgão envia menos sangue para o corpo, causando cansaço e desmaios. Uma freqüência cardíaca perto dos 180 bpm é sinal de alerta total e perigo de morte
Consultoria: Marcelo Bertolami, cardiologista do Instituto Dante Pazzanese (SP)


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Envelhecer com saúde é possível


Para envelhecer com saúde e ter qualidade de vida na melhor idade, além de hábitos saudáveis se necessita de um bom acompanhamento médico especializado, que cuide especificamente dessa fase da vida

Para envelhecer com saúde e ter qualidade de vida na melhor idade, além de hábitos saudáveis se necessita de um bom  acompanhamento médico especializado, que cuide especificamente dessa fase da vida. Esse é o trabalho realizado pelo médico geriatra. A geriatria é a área da medicina especializada na atenção ao processo de envelhecimento e as questões de saúde relacionadas a isso.
Mesmo que não haja uma idade ideal para a primeira consulta, de acordo com a médica geriatra, Nagele Belettini Hahn, existem duas fases indicadas à procura. “A primeira é ser idoso, com mais de 60 anos, e desejar ter um médico responsável pela sua saúde
como um todo, capaz de lidar com a maioria das condições de saúde e de doença, isoladas ou todas juntas”, diz. “Se você é um idoso e gostaria de ter um seguimento completo, vale a pena procurar o geriatra”, explica. “O segundo motivo é querer envelhecer com
saúde e fazer uma avaliação ampla, para a elaboração de um aconselhamento amplo de saúde, específico para cada idade. E para isso, nunca se é nem novo nem velho demais”, garante.
Nagele diz que o geriatra é considerado ao mesmo tempo um médico generalista, enquanto é capaz de prevenir, avaliar e tratar doenças dos mais diferentes aparelhos do nosso corpo, mas também é um especialista, pois é a única especialidade da medicina que se dedica a estudar o idoso e o processo de envelhecimento, sendo referencia nesta área para os outros médicos.
O atendimento da geriatria está focado principalmente na prevenção, além é claro, do tratamento das doenças. Uma alternativa para se chegar bem aos 60 anos. “O envelhecimento, bem ou mal sucedido, se inicia precocemente, e escolher que tipo de idoso quere-
mos ser é privilégio de quem é jovem e está disposto a planejar o seu envelhecimento”, afirma a médica.

Prevenir ainda é a melhor opção

Com um acompanhamento regular de saúde, através da própria consulta médica, o geriatra pode fazer diagnósticos precoce de algumas condições freqüentes, como hipertensão arterial, depressão e alterações de memória. “Há recomendações bem estabelecidas de triagem em pacientes assintomáticos de doenças como diabetes, osteoporose, câncer de mama, colo de útero, próstata e câncer de cólon.

Para todas estas doenças há exames disponíveis que usados adequadamente podem fazer um diagnóstico antes mesmo dos pacientes terem sintomas, dando a oportunidade de iniciarmos um tratamento com maior chance de
cura ou, em alguns casos, há tempo de evitarmos as complicações”, garante Nagele.

Osteoporose

Um drama que costuma acometer, principalmente, as mulheres (logo após a menopausa), a osteoporose é uma doença comum à velhice e que progride silenciosamente de forma lenta e raramente apresenta sintomas.

A doutora Nagele lembra que, embora não seja percebido pelas pessoas, os ossos do nosso corpo estão em estado de renovação durante toda vida. “Todos os dias eles [os ossos] estão sendo formados e destruídos (reabsorvidos) em um processo imperceptível aos nossos olhos, que depende em grande parte do cálcio”.
Segundo Nagele, quando alcançamos aproximadamente 35 anos, a massa óssea do nosso corpo atinge seu pico, sua maior “dureza”. A partir dessa idade, é comum que o processo de reabsorção do osso comece a ser mais intenso do que o de formação óssea, fazendo com que esse osso comece a ficar mais “poroso”, sendo em um grau avançado chamado de osteoporose. ‘’A principal compli-
cação desta doença é o risco elevado de fraturas que estes pacientes tem.

A melhor maneira de tentarmos evitar a descalcificação excessiva dos ossos é termos hábitos saudáveis, como praticar exercícios físicos (principalmente aqueles com carga como a musculação), evitar o fumo, termos uma alimentação rica em cálcio (leite e seus derivados, vegetais verde escuros) e tomarmos alguns minutos de sol diariamente”, orienta a médica.
http://www.ocorreiodopovo.com.br/blush/envelhecer-com-saude-e-possivel-3591438.htmlhttp://www.ocorreiodopovo.com.br/blush/envelhecer-com-saude-e-possivel-3591438.html

quinta-feira, 19 de abril de 2012

A leitura como passaporte para o mundo

Saúde Itinerante e TFD fazem a diferença na vida de centenas de pessoas



Maria Rocilene e a filha Sarah, que faz tratamento contra anemia falciforme (Assessoria Sesacre)
Maria Rocilene e a filha Sarah, que faz tratamento contra anemia falciforme (Assessoria Sesacre)
Oretorno ao médico sempre foi um suplício para Edmundo da Silva. Vítima de leucemia e câncer de pele no nariz, o seringueiro aposentado de 81 anos chiava cada vez que tinha que pegar um avião para Rio Branco. Mas no último fim de semana, ele era só felicidade com o atendimento realizado lá na sua cidade mesmo, Cruzeiro do Sul.
 Dona Maria do Socorro e o marido José Herci fizeram eletrocardiograma e ecocardiograma (Assessoria Sesacre)
 Dona Maria do Socorro e o marido José Herci fizeram eletrocardiograma e ecocardiograma (Assessoria Sesacre)
 Dona Maria do Socorro e o marido José Herci fizeram eletrocardiograma e ecocardiograma (Assessoria Sesacre)
 Dona Maria do Socorro e o marido José Herci fizeram eletrocardiograma e ecocardiograma (Assessoria Sesacre)
Maria do Socorro e o marido José Herci fizeram eletrocardiograma e ecocardiograma (Assessoria Sesacre)
Assim como Edmundo, outras 301 pessoas comemoraram o atendimento que lotou por três dias (sexta, sábado e domingo últimos) o Hospital da Mulher e da Criança de Cruzeiro do Sul.
É isso o que acontece quando se juntam duas ações da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre): Saúde Itinerante e TFD (Tratamento Fora de Domicílio). O primeiro já tem como característica ir até o paciente, já o segundo é responsável por tirar o paciente de seu domicílio e enviá-lo para uma cidade que atenda sua necessidade.
Mas a cada três meses a situação se inverte e o paciente que já tem indicação para TFD não precisa sair do seu domicílio e ainda tem a chance de ser atendido pelo mesmo médico que o trata na capital.
Dessa vez, dez médicos de oito especialidades - dois ginecologistas, um oncologista, um radiologista, um cardiologista, um hematologista, um radiologista, um dermatologista, dois clínicos gerais - e mais uma biomédica, responsável pelos exames, atenderam por mais de 12 horas diárias os mais diversos casos, além de exames como eletrocardiograma e ecocardiograma. A equipe do Itinerante também levou vários tipos de medicamentos.
“Isso não existia, é muito bom”, alegra-se Edmundo. Opinião parecida tem Maria do Socorro Ciacci. Ela e o marido, José Herci, foram fazer eletrocardiograma e ecocardiograma por causa de uma taquicardia e dor no peito. “Não tenho palavras por eles terem vindo aqui. O governo é sensível, mostra que olha para o povo mesmo”, diz, entusiasmada.
Pessoas de todo o Vale do Juruá que tinham encaminhamento para o TFD foram chamadas. Vieram de Marechal Taumaturgo, Porto Walter, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Guajará do Amazonas (a 17 quilômetros de Cruzeiro), além de moradores locais.
“Tem uma paciente que mora acima de Marechal Taumaturgo e demora três dias de barco até chegar a Cruzeiro. Já pensou se ele, ainda assim, tivesse que ir a Rio Branco de tempos em tempos?”, pergunta a gerente-geral do TFD do Vale do Juruá, Rosa Maria Conceição Lima. Segundo ela, a parceria é muito positiva porque o TFD organiza a demanda e o Itinerante traz os médicos e os medicamentos.
Maria Rocilene da Silva é de Porto Walter e foi levar a filha Sarah, de cinco anos, portadora de anemia falciforme. Ela conta que desde 2008, quando descobriu o problema da filha, ia para Rio Branco porque não havia um especialista, mas já é a segunda vez que é atendida em Cruzeiro. “Foi muito bom porque não é tão cansativo e a gente volta logo para casa.”
“É muito satisfatório, principalmente para pacientes da oncologia, porque são atendidos pelo mesmo médico que os atende em Rio Branco. Mais importante do que a economia para o Estado é a dimensão social, já que o paciente não precisa ir até a capital e se ausentar de casa”, conclui a gerente da Divisão de Ações Itinerantes da Sesacre, Celene Maia.
Já é a segunda vez este ano que os dois programas atendem juntos. A primeira foi em Tarauacá e o próximo roteiro é em Feijó. As maiores demandas foram em ginecologia/obstetrícia e oncologia, que juntas somaram mais de 170 atendimentos. Entre consultas, exames laboratoriais e de diagnóstico, foram realizados 721 atendimentos nessa ação.

Seu Edmundo faz tratamento de câncer com o doutor Denys Fujimoto (Assessoria Sesacre)
Edmundo faz tratamento de câncer com o doutor Denys Fujimoto (Assessoria Sesacre)

“Toda vez que tem uma ação dessas, fico impressionada com a disposição dos médicos que deixam suas casas e atendem incansavelmente com empenho e carinho. Vale realmente a pena todo esse esforço”, anima-se a gerente do TFD da Sesacre, Edná Monteiro.
“O Itinerante foi ousado, e o paciente com laudo de TFD já melhora em 50% só de não ter que viajar. A gente percebe que isso é importante pela satisfação do paciente”, relata o hematologista Denys Fujimoto.
A equipe aproveitou a viagem com os médicos e trouxe para Rio Branco uma paciente que estava internada por causa de um infarto e necessita fazer um cateterismo, só realizado na capital.

sexta-feira, 23 de março de 2012

STF julga interrupção de gravidez de feto anencéfalo em abril


O Supremo Tribunal Federal irá julgar na primeira semana de abril a ação que discute o direito de mulheres interromperem a gravidez nos casos em que se identifica que o feto é anencéfalo. A previsão é de que a ação, que foi ajuizada em 2004, seja colocada na pauta de julgamentos do Plenário do tribunal no dia 4 de abril.
Ajuizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), a Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental 54 defende a descriminalização da interrupção da gravidez de fetos anencéfalos. O processo foi liberado para julgamento em março do ano passado pelo ministro Marco Aurélio, relator do caso.
O advogado da CNTS, Luís Roberto Barroso, defende que, nestes casos, não se pode sequer tratar a interrupção da gestação como aborto, já que não há a expectativa de vida do feto após o nascimento. De acordo com ele, trata-se de uma antecipação terapêutica do parto, como descreve em memorial entregue ao ministro Marco Aurélio.
Por ser uma questão controversa, o STF fez audiência pública em agosto de 2008 para debater o tema. A audiência reuniu representantes do governo, especialistas em genética, entidades religiosas e da sociedade civil. Durante quatro dias de discussões, defensores do direito das mulheres de decidir sobre prosseguir ou não com a gravidez de bebês anencéfalos apresentaram seus argumentos e opiniões, assim como aqueles que acreditam ser a vida intocável, mesmo no caso de feto sem cérebro.
Foram ouvidos representantes de 25 diferentes instituições, ministros de Estado e cientistas, entre outros, cujos argumentos servem de subsídio para a análise do caso por parte dos ministros do STF. Nos quatro dias em que foram feitas as audiências, a sociedade se fez representar por 22 instituições, cujo critério de seleção, em sua maioria, foi o pedido de ingresso como amicus curiae . Em relação à pretensão da ação, o estudo das instituições participantes revela que cerca de 60% se manifestaram a favor e 30% contra, com o Poder Legislativo apresentando argumentos nos dois sentidos. Durante a audiência pública, em diversos momentos o ministro Marco Aurélio buscou deixar claro que o objetivo do procedimento não era o debate, evitando o contraditório.
Na audiência pública, o advogado Luís Roberto Barroso reforçou a tese de que não se pode tratar como aborto a interrupção da gravidez de feto anencéfalo. "O aborto pressupõe uma potencialidade de vida, o que não é o caso [ de fetos anencéfalos ]", afirmou na ocasião, repisando um de seus principais argumentos.
Em julho de 2004, o ministro Marco Aurélio concedeu liminar permitindo a interrupção da gravidez nos casos em que o feto não tem cérebro ou tem má formação cerebral grave. A liminar, contudo, foi derrubada pelo Plenário do Supremo poucos meses depois.
Enquanto o Supremo não decide a questão, juízes de primeira instância têm enfrentado os casos e, muitas vezes, permitindo a interrupção da gravidez. Em setembro do ano passado, por exemplo, o juiz da 1ª Vara do Júri do Rio Grande do Sul, Leandro Raul Klippel, autorizou uma mãe a interromper a gravidez. Na decisão, do dia 26 de setembro, ele afirmou que, embora o assunto seja polêmico, "não são os presentes autos o foro adequado para discussões religiosas, éticas ou morais acerca de tal tema, devendo ser levado em consideração apenas aspectos médico-científicos e jurídicos".
Baseado em exames e atestados médicos, o juiz concluiu que é certa a morte do feto após o nascimento, "bem como a intervenção se faz necessária a fim de preservar a saúde física e psicológica da gestante". A decisão foi baseada em exames que indicaram que o feto tem má formação do crânio e defeito de fechamento da parede abdominal, deixando expostos o fígado e partes do intestino e do coração.
Na avaliação do juiz, não se pode falar em aborto (tipificado como crime pelo Código Penal), pois esse pressupõe a presença de feto com viabilidade de vida. "Parece lógico que o legislador pretendeu reprimir a interrupção da gravidez (...) que tenha efetivamente potencial para gerar vida, assim considerada a existência autônoma de um ser independentemente daquele que lhe deu origem, no caso, a mãe".
Em outro caso noticiado pela revista Consultor Jurídico , o juiz José Pedro de Oliveira Eckert, da 2ª Vara Criminal e Infância e Juventude de Alvorada, na Grande Porto Alegre, autorizou a interrupção de gestação de feto sem calota craniana. Para o juiz gaúcho, como não havia possibilidade de vida fora do útero para o feto, deve-se preservar a saúde da gestante, inclusive a psíquica.
Já neste mês, os desembargadores da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, por unanimidade, garantiram a uma jovem de 25 anos, grávida de um feto portador de anencefalia, o direito de interromper sua gravidez. A Câmara acompanhou voto do relator, desembargador José Muiños Piñeiro Filho, para quem a questão não é apenas de ordem jurídica; trata-se antes de tudo de um problema de saúde pública.
Muiños fez críticas à omissão estatal em tornar efetivo o direito social à saúde, garantido pela Constituição Federal, e alertou que as reiteradas negativas de autorização para a interrupção da gestação ou a demora do Judiciário em analisar os pedidos podem culminar com a realização do procedimento em clínicas clandestinas, resultando em alta taxa de mortalidade materna.
Segundo o desembargador, não é possível se omitir diante de problema grave como o da jovem grávida. "O Estado brasileiro destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, o bem-estar, o desenvolvimento e a Justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, exatamente como disposto no Preâmbulo da Constituição, não pode se acovardar e, mais uma vez, se omitir diante de tal realidade", disse.

terça-feira, 20 de março de 2012

Não posso deixar de te amar

Tumores de ovário podem surgir depois de fertilizações

Risco de tumores dura até 15 anos após ciclo de tratamento. Foto: Getty Images
Risco de tumores dura até 15 anos após ciclo de tratamento
Foto: Getty Images

Mulheres que passam por estimulação ovariana para produzir óvulos extras para o processo de fertilização artificial têm mais riscos de desenvolver tumores no órgão, segundo divulgou um estudo do Instituto do Câncer Holandês, publicado na revista Health.

Esse tipo de tumor, conhecido como "tumor ovariano borderline", não é agressivo e tem altas chances de cura, mas demanda cirurgia.

Durante o estudo, foram estudados dados de 19 mil mulheres estéreis da Holanda, que passaram pelo processo de estimulação dos ovários e seis mil que não passaram pelo processo de fertilização artificial. Depois de 15 anos de pesquisas, notou-se que aquelas que se submeteram a quatro ou mais estimulações tinham mais chances de sofrer com os tumores borderline.

"Os dados são claros ao relatar que a estimulação ovariana para fertilização aumenta o risco de desenvolver tumores ovarianos do tipo borderline e os riscos se mantêm elevados por cerca de 15 anos após o ciclo de tratamentos", disse Flora van Leeuwen, líder da pesquisa, que é a favor de as mulheres serem informadas dos riscos do procedimento caso se submetam a vários ciclos de fertilizações.
Terra
 
 http://saude.terra.com.br/noticias/0,,OI5439990-EI1497,00-Tumores+de+ovario+podem+surgir+depois+de+fertilizacoes.html

Células Tronco: A Chave da Regeneração


Discovery channel - Especial - Células tronco: A chave da regeneração

O documentário mostra os adventos que fazem das células-tronco a grande esperança para o futuro da medicina.

Pesquisas e tratamentos experimentais têm ajudado a salvar vidas e a melhorar radicalmente as condições de pacientes de doenças neurológicas e cardíacas, além de casos de cegueira e diabetes.

Conheça a história de pessoas como Ítalo, que sofre de uma doença neuromuscular de origem genética, e saiba como experiências com cobaias animais, hoje em curso no Brasil, dão esperança a jovens portadores de doenças degenerativas e vítimas de lesões da medula.

O documentário expõe o cenário fascinante e polêmico que desafia os limites do ser humano diante da vida e da morte.


Idioma: Português BR - Produzido no Brasil
Formato de áudio - Mp3 128Kbps
Formato de vídeo - Xvid
Resolução - 720x420 DVDRip
Compatível com dvd player: Sim
Duração total: 43min

quinta-feira, 1 de março de 2012

Youcef Nadarkhani Update from Jay Sekulow on Fox News



Assine o abaixo, a favor da vida de Nadarkhani
http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=CRISTAOS

Muita coisa boa vai acontecer na saúde, afirma Dom Dimas Lara




Por: João Humberto
   Foto: Giuliano Lopes 
Dom Dimas diz que temas das campanhas são escolhidos por meio de processo participativo.
A saúde pública sempre pautou reuniões da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), inclusive foi indicada como tema de campanha em diversas ocasiões, mas com foco direcionado ao SUS (Sistema Único de Saúde), a Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema é “Fraternidade e Saúde Pública”, promete ser um marco. De acordo com o arcebispo da Arquidiocese de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa, “muita coisa boa vai acontecer em termos de saúde”.

Durante sessão solene realizada nesta quarta-feira (29/2), no plenário Deputado Júlio Maia, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Dom Dimas elogiou a Casa de Leis pela aprovação do projeto de lei que altera o FIS (Fundo de Investimento Social), possibilitando o incremento de recursos na área da saúde. A proposta foi assinada e transformada em lei pelo governador André Puccinelli (PMDB).
A respeito da Campanha da Fraternidade deste ano, que está em sua 49ª edição, Dom Dimas explicou que ela vai mobilizar toda a população brasileira, desde quem mora nas megalópoles até os ribeirinhos. “As campanhas da fraternidade têm o poder de mobilizar os católicos de todo o país, principalmente por causa de sua responsabilidade social”.

Dom Dimas contou que os temas das campanhas sempre são definidos com dois anos de antecedência. Ele disse que o colegiado nacional da CNBB, composto por 13 bispos, costuma receber de 15 a 20 propostas de temas anualmente. “Escolhemos o tema por meio de um processo participativo”.

Secretário-geral da CNBB de 2008 a 2011, Dom Dimas frisa que a confederação sempre teve uma preocupação com a saúde, mesmo que indiretamente. Prova disso foram as campanhas desenvolvidas em 1981 (Saúde e Fraternidade), 1984 (Fraternidade e Vida), 1985 (Fraternidade e Fome), 2001 (Fraternidade e as Drogas), 2002 (Fraternidade e Povos Indígenas), 2003 (Fraternidade e Pessoas Idosas), 2004 (Fraternidade e Água), 2006 (Fraternidade e Pessoas com Deficiência), 2008 (Fraternidade e Defesa da Vida), entre outras.

Interesse nacional - A saúde pública é um tema de interesse nacional, segundo Dom Dimas. Ele ressalta que quando se pensa em saúde, automaticamente se pensa na pessoa humana. “A pessoa humana vale pelo que ela é e não pelo que ela produz. Todos são importantes e merecem atendimento de qualidade”.

A Campanha da Fraternidade também adquire respeitabilidade a cada ano, pois mobiliza a sociedade para temas importantes, conforme Dom Dimas. Em sua opinião, a saúde envolve acidentes de trânsito, principalmente com motos, o que é muito comum em Campo Grande; problemas relacionados ao narcotráfico, que atinge os usuários e assim acaba prejudicando a saúde; hábitos saudáveis; violência doméstica. “Enfim, a saúde envolve a pessoa como um todo”.

O arcebispo admite que a lei aprovada pela Assembleia, sobre a modificação do FIS, já é uma ação concreta de benefício à saúde pública. Por meio dela, os recursos do fundo serão ampliados de R$ 11 milhões para R$ 20 milhões.

Sessão - A sessão solene em apoio à Campanha da Fraternidade foi anunciada no dia 7 de fevereiro em uma reunião dos deputados estaduais com Dom Dimas Lara.

O Coral dos Servidores da Assembleia Legislativa abriu o evento, na manhã desta quarta-feira. Além dos deputados, vereadores campo-grandenses e outras autoridades participaram da solenidade.

Permitida a reprodução, desde que contenha a assinatura "Portal ALMS".
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